Perguntes aos seus Antepassados sobre Você
Quem você é? De onde você veio? Para onde vai? Para responder a tais perguntas, pode começar pelo seu nome. Qual é a sua ancestralidade? Seu sobrenome vem de que família? Silva, Prado, Fírveda... Os nomes nos levam às pessoas, aos homens e mulheres que já em tempos idos desbravaram, lutaram e marcaram suas histórias pessoais na história de um povo, uma região, uma família. Não há como sabermos quem somos se não somos capazes de olhar para o passado, e enxergar a parte “velha” de nossas vidas.
Então avalie a seguinte questão: como tem tratado os anciões de sua sociedade? Ou ainda. Como tem tratado e valorizado as pessoas mais velhas de sua família?
Se olharmos para o modo como os orientais tratam seus idosos, perceberemos que seus conhecimentos milenares os possibilitam enxergar no “ultrapassado” um grande exemplo para o futuro. Sabiamente valorizam as experiências, os ensinamentos, a visão do que já foi vivido e experienciado em suas vidas e suas relações. É uma grande honra ter em seu lar um idoso da família. Isto, porque são muitas as possibilidades de aprendizado! Uma delas é a oportunidade de poder evitar desperdício de tempo, energia e disposição em alternativas já desgastadas e que nos levam a situações de fracasso.
Nós ocidentais temos feito exatamente o oposto. Deixamos nossos idosos à margem. Desrespeitamos seus direitos e vontades. Subjugamos as suas necessidades em detrimento do que é novo e avançado. E até fomos forçados a criar um estatuto do idoso para garantir o direito à dignidade.
Cabe aqui dizer que indigno é aquele que não reconhece nos seus antepassados o seu presente; o esforço do trabalho de mãos agora já enfraquecidas pelo tempo, mas que desbravaram os seus caminhos, principalmente com a vontade maior de deixar um futuro melhor para os mais jovens. Indigno é aquele que desconsidera o peso da experiência dos cabelos brancos.
Desconsidera nos olhos já cansados de tanto ver, de tanto alertar e de nos ensinar a certeza de que podemos ser diferentes e melhores, porque temos de onde partir. Indigno é aquele que não reconhece o seu alicerce... as primeiras pedras que edificaram o que hoje é a sua possibilidade de ter futuro.
Portanto, antes de saber quem você é, reconheça-se naqueles que existiram por você.
Karine Dutra Mesquita Nalini
Psicóloga - CRP 09/3981 ·In memorian de Odorico Dutra Nicácio Filho |